Hoje faz 40 anos da visita do Papa João Paulo II ao Piauí. Este é um dos 100 fatos do livro “O Piauí no Século 20”, que está saindo em 5ª. Edição – revista, ampliada e melhorada. Veja ou lembre como foi a visita do Papa a Teresina:
Jasmine Malta (*)
Passando o final de semana em Bom Jesus, na casa de pai, aproveitei para colocar algumas leituras em dia – de livros e revistas. Uma delas, a do Zózimo Tavares, sobre nosso ex-governador e figura ímpar na história da política brasileira. Sem apologias, por favor. Porque a Dulcineia, é literária.
Já escrevi, e confirmo, que não sou filiada a nenhum partido político, nem simpatizante de nenhum deles. Acredito nas pessoas e no trabalho delas e, sinto até certo receio sobre o tema de hoje, por estarmos em plena campanha eleitoral. Vai lá alguém interpretar não como análise de leitura, mas como propaganda. Corro o risco.
Jornalista, letrado, apaixonado por Literatura, cordelista engajado, palestrante de primeira, nosso autor não se furta de nenhum destes papéis ao publicar um livro. Todas as suas facetas estão reveladas em sua escrita criativa. Produtivo, seus títulos vão sendo multiplicados ano após ano. E, bondosamente, distribui muito mais do que vende.
Nesta obra em análise, fez uma pesquisa detalhada, uma coleta de dados informativos e elaborou uma coletânea interessantíssima. O folclórico perfilado além de tema de show humorístico (do estimado João Cláudio Moreno) e de personalidade entrevistada pelo poderoso Jô Soares, tornou-se um personagem símbolo do Senado (durante o mandato) e celebridade nacional. Ninguém, como ele, conseguiu elevar a audiência da TV Senado, popularizando-a entre os telespectadores. Quando, em vez da novela cotidiana, a audiência aguardava o pronunciamento do dia, ou um dos inúmeros e famosos apartes.
O biografado é um “grávido”. De palavras, de citações, de ditados, de chistes; de língua afiada e raciocínio certeiro. O trabalho do jornalista é minucioso e, empreendedor, apresenta informações históricas e didáticas sobre o Piauí, visando, claro, as edições que serão lidas em todo o país; além de contextualizar os fatos narrados. Uma obra global, compreensível por leitores diversos, independente do espaço geográfico ocupado.
As Citações. Estas, são de fazerem sorrir sozinho. Uma propriedade da leitura : o envolvimento do leitor, a identificação com o texto, a fruição interpretativa. Nosso político criou um “tipo” próprio, vários episódios mostram muito mais uma capacidade articuladora e planejada, do que simples fato ao acaso. Atentai bem, se faz de besta para melhor passar. E, assim, foi abrindo os caminhos já traçados na política, na qual é uma figura inesquecível : pela Cassação inédita, pelos discursos eloquentes.
Confesso, o homem é um erudito. Leitor contumaz, memorialista invejável, orador de primeira ordem, concatenador de ideias singulares, amante à moda antiga. Um verdadeiro “baião de muitos”. Família religiosa, organizada, mãe amantíssima e dona de talento literário, um estudioso confesso e médico dedicado. Nosso Mão é sem comparações, mesmo quando lembrado em conjunto com outro parnaibano ilustre, construtor ininterrupto, sacrificador dos salários estaduais.
O Decálogo apresentado no milésimo discurso, feito digno de uma Certificação Guiness, deveria ser o texto de cabeceira de todo político brasileiro. Mais ainda nestes
tempos de Mensalão, comprovado e em julgamento. Para os que pretendem alçar cargo eletivo, vale a lição deste Mão, nem tão Santa assim, em seu pronunciamento histórico.
O título, reafirmo, é uma leitura excelente. Possível de ser apreciada sem nenhum partidarismo, ou simpatia pessoal, pelo biografado. Pelos simples prazer de ler uma obra bem escrita e divertidíssima. Zózimo, quem será o seguinte ?
*Jasmine Malta é professora da UFPI. Texto publicado no jornal O DIA, na coluna literária DULCINEIA, 19/09/2012.
A Bienal Editora liberou o primeiro capítulo do livro “Dirceu Arcoverde – Esperança interrompida”, do jornalista e escritor Zózimo Tavares.
Trata-se da biografia do ex-governador e ex-senador Dirceu Arcoverde, falecido há 41 anos.
O lançamento do livro estava programado para março passado, porém foi suspenso em função da decretação das medidas de isolamento social.
Uma nova data de lançamento será agendada.
Clique neste e leia o primeiro capítulo da obra
Joca Oeiras (*)
Aceitei o convite para ser o apresentador do livro “Atentai Bem, assim falou Mão Santa”, do jornalista Zózimo Tavares, encarando-o como uma missão a mim confiada pela Fundação Nogueira Tapety – FNT. Não nego, no entanto, que tremi nas bases, pois o Zózimo escreveu não apenas a respeito de um político vivo e atuante, mas, principalmente, por que este político se chama Mão Santa, figura emblemática e extremamente polêmica, não havendo vivente que possa, em sã consciência, dizer o contrário!
Como conheço o Zózimo, mesmo antes de ler o livro, tinha certeza de que a obra não seria, simplesmente, um laudatório, um exercício de puxa-saquismo explícito. Pelo mesmo motivo, sabia que o retratado seria objeto do maior respeito e consideração, isto é, sei que o autor é incapaz de desrespeitar quem quer que seja.
Mas o Zózimo, a par do gentlemam que é, é, profundamente, jornalista e a ele é atribuida a frase: “Se o jornalista não incomoda, então não é jornalista”.
Conto isso tudo para enfatizar que li o livro armado com todos estes preconceitos. Além de tudo, muito curioso! Assim que a obra chegou-me às mãos, procedi a uma leitura, não vou enganar ninguém, seletiva, procurando separar o que era do autor do que havia sido escrito ou dito pelo senador.
Desde logo concluí que título do livro “Atentai bem, assim falou Mão Santa”, não poderia ser mais adequado. Na verdade, o maior feito do Zózimo foi conseguir, através de suas páginas, dar expressão verbal coerente a um discurso fragmentário e – não poucas vezes – errático do personagem principal da obra, sendo esta, para mim, a grande sacada do autor do celebrado “Sociedade dos Poetas Trágicos”.
Juizo de valor
Digo isto porque não considero que se trate de uma biografia, nem sequer de um escorço biográfico, muito embora o autor tenha arrolado inúmeros dados com este teor. E também, apesar de toda a evidente simpatia que o parlamentar inspira ao jornalista, este, em nenhum momento, cuida de fazer um julgamento seja do homem, seja do médico, seja do político Mão Santa.
Como disse, não se trata disto. O Zózimo, que além de jornalista, é cordelista e possui Licenciatura em Letras (entre outras coisas), se delicia ao analisar a fala, ora pretensamente erudita, recheada de citações dos clássicos e da Bíblia, ora francamente folclórica, do personagem-tema de sua obra. Não apenas o que diz, mas principalmente os trejeitos que faz e a maneira pouco ortodoxa, para dizer o mínimo, de que se utiliza para pronunciar as palavras. Aliás, o caráter histriônico da fala do senador é constantemente realçado pelo jornalista. Vejam: “Mão Santa não liga para a dicção, engole o ‘s’ que marca o plural, outras vezes põe ‘esses’ a mais, mastiga palavras e assim por diante”.
É claro que, ao debruçar-se sobre a fala do “retratado”, o autor não poderia se esquivar de alguns julgamentos de valor a seu respeito, o principal deles, reiteradamente formulado, a inegável presença de espírito que, segundo Zózimo, “é um dos traços da irrequieta personalidade de Mão Santa”, reconhecendo, embora, que “se não tem uma resposta pronta para as críticas, faz ouvidos de mercador e assim vai passando”.
Ressalta, também, talvez nem fosse preciso, a originalíssima figura do senador, evidente aos olhos de quantos a conhecem, mesmo os menos avisados. No entanto, não custa reiterar: em nenhum momento o jornalista se dispõe a julgar a atuação do político, que foi Prefeito de Parnaíba e, por duas vezes, governou o Estado do Piauí, seja no exercício destes cargos executivos, seja na sua atuação parlamentar propriamente dita, seus projetos, para além dos discursos.
Mil discursos
Para mim a obra se define por ser uma descrição minuciosa do peculiaríssimo linguajar de uma importante figura da República. Através das profusas – e, não raro, confusas – manifestações verbais do retratado, o autor pinta um quadro fortemente impressionista – mas, nem por isso, menos verdadeiro – do prolixo parlamentar dos (mais de) mil discursos.
As mais acerbas críticas podem ser formuladas ao político Mão Santa, mas… atentai bem, senhoras e senhores, depois de ler o livro do Zózimo, a ninguém caberá desconhecer que se trata, o Senador Mão Santa, de um ser humano de rara grandeza.
(Texto de apresentação do livro “Atentai bem!, assim falou Mão Santa”, de autoria do jornalista Zózimo Tavares, lançado no dia 22.01.10, às 21h, na Câmara Municipal de Oeiras, numa realização da FNT)