Therê – Guia Literário e Afetivo de Teresina é o novo livro do escritor Arnaldo Boson Paes.
A obra foi lançada no aniversário do autor, sábado passado (25/10), na presença de familiares, amigos e outros convidados.
Já no prólogo, Boson traz a explicação do título, gravado na Grande Enciclopédia Internacional de Piauiês, do jornalista, professor e poeta Paulo José Cunha: “Therê, forma sincopada de Teresina, como Sampa é de São Paulo, Copa é de Copacabana, Floripa de Florianpolopis, Belô de Belo Horizonte”.
Em prosa e verso
O livro apresenta Teresina na visão de historiadores, romancistas, poetas, cronistas e compositores que interpretam a cidade desde a sua origem, em 1852, até os dias atuais.
Boson faz recortes das obras desses autores de modo a enquadrar a capital em cada momento retratado por eles:
“Nossa aventura literária levará o leitor à Cidade Nascente de Monsenhor Chaves, à Cidade Provinciana de Abdias Neves e à Cidade em Chamas de Fontes Ipiapina. Continuaremos pela Cidade Pitoresca de H. Dobal e pela Cidade Amada de A. Tito Filho”.
E promete, ainda:
“Nossa jornada não para aí: ela guiará o leitor também pela Cidade Verde de Ribamar Garcia, a Cidade Marginal de Oton Lustosa, a Cidade Mutante de Cineas Santos. E também pela Cidade Poética de Lucídio Freitas e de outros poetas e, finalmente, pela Cidade Musical de Torquato Neto e de outros compositores”.
O autor
Arnaldo Boson Paes é baiano. Desde a adolescência mora em Teresina, onde deu prosseguimento aos seus estudos, fez-se magistrado, professor universitário e escritor.
Seu novo livro, publicado pela Bienal Editora, já foi distribuído nas principais livrarias de Teresina.
(Imagens: Jonathan Dourado)

Isabel Fonteles, governador Rafael Fonteles, Boson e Van Fernandes.

O autor e família.

Boson com a presidente da APL, Fides Angélica, e o professor Marcelino Leal.

Com o conselheiro Jaylson Campelo, apresentador da obra, e Fabrícia.






Por Carvalho e Silva, Ex-Deputado Estadual
Em 2025, Petrônio Portella completaria 100 anos. Falar sobre ele é recordar parte da história política do Piauí e do Brasil. Tive o privilégio de conviver com esse grande homem em diferentes momentos da vida, coincidências que marcaram profundamente minha trajetória pessoal e pública. Nossos caminhos se cruzaram diversas vezes, como aluno, servidor e político, e cada encontro reforçou minha admiração por sua inteligência, integridade e espírito conciliador.
Após concluir o ginásio, no Colégio São Francisco de Sales – Diocesano, ingressei na Escola Técnica de Comércio do Piauí. A primeira disciplina ministrada no primeiro dia de aula foi Prática Jurídica Comercial e, para nossa surpresa, o professor era Petrônio Portella Nunes, então prefeito de Teresina. Todos nós, alunos, além de surpresos, ficamos honrados com a oportunidade de conhecer e aprender com aquele que já se destacava como uma grande liderança.
Durante alguns semestres, tive aulas com o professor Petrônio Portella. Um homem sempre íntegro e com vasto conhecimento a compartilhar. Alguns anos depois, concluí o curso de Direito na Faculdade de Direito do Piauí e fui nomeado Diretor Regional dos Correios do Piauí (DR-PI). Nessa época, Petrônio Portella já era governador do Estado.
Devido às solenidades públicas, tive o prazer de encontrá-lo em várias ocasiões. Em setembro de 1966, decidi pedir exoneração dos Correios e me candidatar a deputado estadual. Naquele momento, o grande líder político era ele, Petrônio Portella, que também havia deixado o cargo de governador para concorrer ao Senado da República.
Mais uma coincidência política unia nossos caminhos: ele, candidato a senador; eu, a deputado estadual. Dividimos o palanque diversas vezes, e embora soubesse que sua figura era sempre maior e mais influente, sentia-me honrado por caminhar ao lado de um homem de tamanha estatura moral e política.
No dia 1º de janeiro de 1967, tomei posse como membro da Assembleia Legislativa do Piauí, enquanto, na mesma data, Petrônio Portella assumia o mandato de senador da República, iniciando uma trajetória que o consagraria como um dos maiores políticos de todos os tempos.
Em suas vindas ao Piauí, sempre nos encontrávamos. Recordo com nitidez o dia da posse de Alberto Silva, quando tive a honra de ler o termo de posse e, ao meu lado, estava o senador Petrônio Portella, testemunhando mais um momento marcante da história política piauiense.
Em 1978, Petrônio foi indicado como representante do governo para coordenar as candidaturas a governador. À época, existiam as sublegendas, e cada Arena podia lançar dois nomes. Votei na Assembleia Legislativa para o governador Lucídio Portella, irmão de Petrônio.
Logo após Lucídio assumir o governo, fui nomeado Secretário de Trabalho e Ação Social. Nessa função, viajei diversas vezes a Brasília, onde tive a oportunidade de reencontrar e dialogar com o senador Petrônio Portella.
Ao longo de todos esses anos, desde o tempo em que foi meu professor até seus últimos dias de vida, mantive por ele profunda admiração. Petrônio foi, sem dúvida, o maior político que o Piauí e o Brasil já tiveram. No Senado Federal, deixou marcas indeléveis, inclusive sendo nomeado Ministro da Justiça, posição na qual exerceu papel decisivo na redemocratização do país.
Em cada fase da sua vida pública, demonstrou notável capacidade de articulação e uma habilidade rara de apaziguar ânimos em tempos de grande tensão. Sua liderança serena e conciliadora foi fundamental para abrir caminhos ao diálogo e à transição política do Brasil.
Neste centenário de Petrônio Portella, presto minha homenagem a esse mestre que tanto me inspirou. Relembrar as coincidências e vivências políticas que partilhamos é, para mim, motivo de honra e gratidão.
Petrônio Portella era apontado como um dos principais nomes para disputar a Presidência da República. Tenho convicção de que teria sido um grande presidente, se não tivesse falecido precocemente em 6 de janeiro de 1980. Sua morte representou uma perda irreparável para a política piauiense, para o Brasil e para a democracia.
O livro Flores Vermelhas em Noites Azuis, do advogado, escritor e acadêmico Moisés Reis, será lançado neste sábado (25/10), às 10h, na Academia Piauiense de Letras (APL).
A obra, publicada pela Bienal Editora, está saindo em nova edição – revista ampliada e melhorada.
O autor, advogado militante e escritor, já publicou, entre outros, os livros Olhos de Argos e Constitucionalismo e Profecia em Roberto Campos: O Liberal e o Liberalismo na Constituição de 1988.
É sócio do Instituto Histórico de Oeiras e membro da Academia Piauiense de Letras, onde ocupa a Cadeira 28.
Outros livros serão lançados na sessão deste sábado da APL.
“De Valença para o mundo” foi o tema da palestra que o jornalista e escritor Zózimo Tavares proferiu no Salão do Livro de Valença (SaLiVa), no sábado passado (18/10).
O jornalista falou sobre a trajetória política do senador Petrônio Portella, nascido em Valença, em 12 de setembro de 1925.
Biógrafo de Petrônio, Zózimo Tavares discorreu sobre a infância do biografado em Valença do Piauí, sua transferência para Teresina, aos 12 anos, os estudos no Rio de Janeiro e a carreira política.
O palestrante citou episódios sobre a atuação de Petrônio como deputado estadual, prefeito de Teresina, governador do Piauí, senador da República e ministro da Justiça.
Ele destacou os encontros de Petrônio Portella com várias personalidades mundiais, entre elas dois presidentes norte-americanos – John Kennedy, quando era governador, e Jimmy Carter, quando presidiu o Congresso Nacional.
O escritor afirmou que, apesar de ter saído muito novo de Valença e de viver longe da terra natal, Petrônio carregava a cidade no coração.
“Em suas entrevistas e conferências, ele sempre se reportava ao Piauí e a Valença. E sua chácara em Brasília recebeu justamente o nome de “Valença”. Para que maior declaração de amor? ”, concluiu.

14º SaLiVa no CETI Santo Antônio, em Valença do Piauí.

Coordenador do SaLiVa, Kássio Gomes, apresenta o escritor.


“O livro Flores Vermelhas em Noites Azuis é uma obra de grande importância para a construção do senso crítico e da cidadania”.
A opinião é do professor e acadêmico Carlos Evandro Martins Eulálio, e foi manifestada no prefácio da segunda edição do livro do advogado, escritor e acadêmico Moisés Reis, recém-publicada pela Bienal Editora.
Conforme o professor, que é também crítico literário, a leitura dos textos do livro de Moisés Reis tanto atualiza e amplia o repertório de informações do leitor quanto contribui para aprimorá-lo, em relação à capacidade de análise crítica da realidade e do mundo que o cerca.
Temática
E prossegue o crítico, que ocupa a Cadeira 38 da Academia Piauiense de Letras:
“Quanto à temática, identificamos na obra dois grupos de artigos. O primeiro, que constitui a grande maioria dos textos, são os respeitantes à esfera social, política e econômica. O segundo grupo reúne aqueles artigos de tom mais subjetivo, de natureza abstrata ou metafísica que envolvem questões sobre a condição universal do homem.
Assim, no primeiro grupo, à guisa de exemplo, elencamos os seguintes temas:
A globalização e suas consequências negativas para os países mais pobres, como o aumento da pobreza, do desemprego e da desigualdade;
A judicialização do Supremo Tribunal Federal ou o ativismo judicial. Ao questionar a atuação do Judiciário em áreas tradicionalmente do Legislativo ou do Executivo, como a formulação de políticas públicas, ou a interpretação de leis, constrói-se a representação social de um STF que se distancia do papel tradicional de guardião da Constituição;
As guerras nas diversas regiões do mundo, com sérias ameaças à paz global;
As lutas da mulher para conquista de seus direitos na sociedade;
O livro físico, considerado entre as invenções do homem como a que, tecnologicamente, é insuperável quanto ao caráter prático de seu manuseio;
A inflação como ameaça de retorno “ao distante ano de 1994”;
A intolerância alimentada pela cultura do ódio;
A radicalização decorrente da crise moral e política em que vive o País;
O desemprego e, por consequência, a pobreza como o maior flagelo da humanidade;
A ética e a política, os políticos e a politicalha atual, numa referência a práticas corruptas e pouco éticas que permeiam alguns setores da política, prejudicando a sociedade;
A violência nos centros urbanos; os desastres ecológicos “causados pelas inconsequentes ações da geração atual”, entre tantos outros temas.
A condição humana
Por fim, escreve o professor Carlos Evandro:
“Os ensaios e crônicas que abrangem a temática dos textos do segundo grupo incluem aspectos da vida humana, como valores, crenças e experiências pessoais. Nesta série, destacamos os textos:
A alma do poeta, aqui representado como alguém que possui o poder único de interpretar os sentimentos humanos. “É ser diferente, porque para fazer poesia é preciso ter o dote especial de fina e aprimorada sensibilidade, longe do alcance da maioria dos mortais”, acrescenta o autor;
O destino é a vontade; todo homem faz o seu destino: o título é uma frase de Machado de Assis – de modo incisivo, o autor conclui que o homem é responsável por seu destino: “Somos o que somos, resultante dos nossos atos, do querer ser”;
O homem e sua finitude: trata-se de profunda reflexão sobre a precariedade da existência humana e a inevitável evidência de que, “Somos mortais, sujeitos à passagem do tempo; cedo ou tarde, algo inevitável — a eternidade sem fim — um dia, baterá à porta”;
O poder das palavras: o objetivo desse ensaio é chamar a atenção do leitor para o poder que as palavras possuem quando enunciadas. Por isso devemos utilizá-las com prudência e responsabilidade, pois, conforme o autor, “É preciso lembrar que a liberdade de expressão não é um salvo-conduto irrestrito; a palavra tem o poder de unir ou dividir”;
Telurismo: este é o mais subjetivo de todos os textos. Em poucas palavras, o autor nos transmite com emoção a influência que a terra natal exerce na vida de todos que ali nasceram”.

O jornalista e escritor Zózimo Tavares fez uma palestra ontem (01/10) para alunos do Curso de Ciência Política da Universidade Federal do Piauí sobre três personagens biografadas por ele: Petrônio Portella, Alberto Silva e Dirceu Arcoverde.
O convite para a palestra partiu do professor Cleber de Deus, PhD em Ciência Política (IAI – Berlim, Alemanha) e coordenador do Núcleo de Estudos Políticos da UFPI. Ele ministra no curso a disciplina Política Piauiense.
O jornalista, que é também cientista político egresso do curso da UFPI, discorreu sobre os três personagens, destacando a importância de cada um deles para a política recente do Piauí e o contexto de sua atuação.
As biografias de Petrônio Portella, Alberto Silva e Dirceu Arcoverde, publicadas pela Bienal Editora, foram adotadas na disciplina Política Piauiense do Curso de Ciência Política da UFPI.


