A Academia Piauiense de Letras (APL) realizou, sábado passado (25/04), o panegírico do poeta Álvaro Pacheco, que ocupou a Cadeira 30.
A oração da saudade foi proferida pelo acadêmico Zózimo Tavares, que discorreu sobre a vida e obra do homenageado.
A sessão foi conduzida pelo presidente da APL, Fonseca Neto, que exaltou Álvaro Pacheco como um dos maiores nomes da poesia brasileira contemporânea.
Na mesma sessão, o acadêmico Jonathas Nunes lançou o livro “A Reverência Acadêmica”, com poemas dedicados aos imortais da APL, da Academia de Ciências do Piauí e da Academia Luso-Brasileira de Letras.
A obra foi apresentada pelo acadêmico Luiz Ayrton Santos.
Do Piauí para o Rio
Zózimo Tavares recordou que Álvaro Pacheco nasceu em 26 de novembro de 1933, em Jaicós, no semiárido piauiense.
“Muito cedo meteu o pé na estrada, deixando para trás os sertões ermos só lembrados pelos donos do poder em tempos de seca e de eleição”, relatou.
“A primeira parada foi Teresina, onde cresceu sob os cuidados de parentes. O que mais lhe marcou foi o tio Cláudio Pacheco, jurista com quem conviveu por longos anos”.
Depois de falar sobre a ida de Álvaro para o Rio de Janeiro, em 1950, o orador discorreu sobre a militância dele no jornalismo e a formatura em Direito.
Também descreveu a atuação do homenageado como editor, ao transformar a Artenova em uma das principais editoras do Brasil.
E lembrou que, no início da década de 1970, no primeiro Governo Alberto Silva, o Piauí executou o seu mais ambicioso projeto editorial até àquela época, publicando mais de 40 livros.
Uma parte dessas obras foi publicada pela Companhia Editora do Piauí (Comepi), em condições modestas, e outra pela Artenova, em fino acabamento gráfico, usando o que havia de mais moderno à época.
Percurso poético
Zózimo Tavares mostrou que a obra de Álvaro Pacheco está reunida em 16 livros: Os Instantes e os Gestos (1958); Pasto da Solidão (1965); Margem, Rio, Mundo (1966); O Sonho dos Cavalos Selvagens (1967); A Força Humana (1970); A Matéria do Sonho (1971); Tempo Integral (1973); O Homem de Pedra (1975); Itinerários (1983); Seleção de Poemas (1984); Balada do Nadador do Infinito (1984); A Geometria dos Ventos (1992); Tryptique Pour Vang Gogh (1994); Solstício de Inverno (1998); A Balada e Outros Poemas (2001) e Epifania das Estrelas para Galileu Galilei (2002).
Prêmios e antologias
O orador citou também que, em 1984, saiu a sua primeira antologia, Seleção de Poemas, organizada por Odylo Costa, filho, Rubem Fonseca e Fábio Lucas. No ano seguinte, o poeta recebeu o Prêmio Nacional de Literatura do Pen Clube do Brasil, por seu livro Balada do nadador do infinito.
Organizada por Bruno Tolentino, Antônio Carlos Secchin e Teresa Velho, A Balada e Outros Poemas, sua segunda antologia, foi publicada em 2001. A União Brasileira de Escritores (UBE) concedeu ao poeta, unanimemente, o Prêmio Cecília Meireles de Poesia por este livro.
Álvaro Pacheco faleceu em novembro de 2025 e ocupou a Cadeira 30 da APL por 31 anos.
(Imagens: Assessoria da APL e Kassio Gomes)







