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A escrita nos anos de chumbo reúne Thiago de Mello e Antônio Torres

O auditório Jorge Amado da II BIENAL BRASIL DO LIVRO E DA LEITURA recebeu no começo da noite de quinta-feira a primeira mesa do debate A produção literária nos anos de chumbo, com o poeta amazonense Thiago de Mello e o romancista baiano Antônio Torres.

Thiago de Mello relatou algumas de suas experiências durante o período, contou de sua amizade com escritores latino-americanos (como Gabriel García Márquez, para quem o encontro em questão foi dedicado) e de suas motivações para ter embarcado na guerrilha urbana contra a ditatura. Ou seja, tangenciou o assunto, mas passou um pouco batido pela proposta original.

Coube ao escritor baiano Antônio Torres comentar de maneira mais aprofundada a produção literária nos anos de chumbo. “O período forneceu muita inspiração para os escritores. Todos nós respirávamos o ar da ditadura e isso está refletido no clima dos nossos livros”, apontou. “A censura foi muito dura com a produção cultural da época. Alegam repressão moral, mas era política mesmo. Muitos editores tinham medo de publicar esses livros”, lembrou.

Entre os livros de destaque daquela época, o autor de Balada da infância perdida apontou títulos como Bar Don Juan, de Antônio Callado, Zero, de Ignácio de Loyola Brandão, Feliz ano novo, de Rubem Fonseca, A festa, de Ivan Ângelo, Quatro-olhos, de Renato Pompeu, e Trevas no paraíso, de Luiz Fernando Emediato. “Há uma tendência de achar que os romances escritos nessa época ficaram datados, mas continuam ótimos livros”, opinou o escritor baiano.

Antes de responderem às perguntas da plateia, Thiago de Mello encerrou sua fala declamando uma de suas mais conhecidas poesias, Volto armado de amor:

Venho armado de amor
para trabalhar cantando
na construção da manhã.
Amor dá tudo o que tem.
Reparto a minha esperança
e planto a clara certeza
da vida nova que vem

ASCOM Bienal