O governador Rafael Fonteles inaugurou obras e outros melhoramentos públicos em Valença do Piauí, no último sábado (9/5), incluindo o Museu Mestre Dezinho e o Memorial Petrônio Portella, no Centro Histórico da cidade.
Espaço dedicado à preservação da história de uma das grandes personalidades da política piauiense, o Memorial Petrônio Portella foi reformado e modernizado e ganhou também um café.
A obra, realizada pela Secretaria Estadual de Cultura, fortalece a cultura e o turismo no município.
Biografia
Durante a entrega da obra houve a distribuição do livro Petrônio Portella – Uma biografia, do jornalista e escritor Zózimo Tavares.
Petrônio Portella nasceu em Valença do Piauí, em 1925, e aos 11 anos transferiu-se para Teresina, para dar continuidade aos seus estudos.
Ainda jovem, ingressou na política. Foi deputado estadual, prefeito de Teresina, governador do Piauí, senador e presidente do Congresso Nacional duas vezes.
Ele faleceu em 1980, aos 54 anos, no auge de sua carreira política, quando exercia o cargo de ministro da Justiça e a função de coordenador político do Governo.
Os projetos do Memorial e do Museu são de autoria do arquiteto e professor Paulo Vasconcelos, da Universidade Federal do Piauí.
Entre as autoridades e convidados presentes à inauguração estavam o secretário de Cultura, Rodrigo Amorim; o prefeito de Valença do Piauí, Marcelo Costa e Silva; o senador Marcelo Castro; o deputado Fábio Novo e o presidente da Fundação Quixote, Kassio Gomes.











Por Carvalho e Silva, Ex-Deputado Estadual
Em 2025, Petrônio Portella completaria 100 anos. Falar sobre ele é recordar parte da história política do Piauí e do Brasil. Tive o privilégio de conviver com esse grande homem em diferentes momentos da vida, coincidências que marcaram profundamente minha trajetória pessoal e pública. Nossos caminhos se cruzaram diversas vezes, como aluno, servidor e político, e cada encontro reforçou minha admiração por sua inteligência, integridade e espírito conciliador.
Após concluir o ginásio, no Colégio São Francisco de Sales – Diocesano, ingressei na Escola Técnica de Comércio do Piauí. A primeira disciplina ministrada no primeiro dia de aula foi Prática Jurídica Comercial e, para nossa surpresa, o professor era Petrônio Portella Nunes, então prefeito de Teresina. Todos nós, alunos, além de surpresos, ficamos honrados com a oportunidade de conhecer e aprender com aquele que já se destacava como uma grande liderança.
Durante alguns semestres, tive aulas com o professor Petrônio Portella. Um homem sempre íntegro e com vasto conhecimento a compartilhar. Alguns anos depois, concluí o curso de Direito na Faculdade de Direito do Piauí e fui nomeado Diretor Regional dos Correios do Piauí (DR-PI). Nessa época, Petrônio Portella já era governador do Estado.
Devido às solenidades públicas, tive o prazer de encontrá-lo em várias ocasiões. Em setembro de 1966, decidi pedir exoneração dos Correios e me candidatar a deputado estadual. Naquele momento, o grande líder político era ele, Petrônio Portella, que também havia deixado o cargo de governador para concorrer ao Senado da República.
Mais uma coincidência política unia nossos caminhos: ele, candidato a senador; eu, a deputado estadual. Dividimos o palanque diversas vezes, e embora soubesse que sua figura era sempre maior e mais influente, sentia-me honrado por caminhar ao lado de um homem de tamanha estatura moral e política.
No dia 1º de janeiro de 1967, tomei posse como membro da Assembleia Legislativa do Piauí, enquanto, na mesma data, Petrônio Portella assumia o mandato de senador da República, iniciando uma trajetória que o consagraria como um dos maiores políticos de todos os tempos.
Em suas vindas ao Piauí, sempre nos encontrávamos. Recordo com nitidez o dia da posse de Alberto Silva, quando tive a honra de ler o termo de posse e, ao meu lado, estava o senador Petrônio Portella, testemunhando mais um momento marcante da história política piauiense.
Em 1978, Petrônio foi indicado como representante do governo para coordenar as candidaturas a governador. À época, existiam as sublegendas, e cada Arena podia lançar dois nomes. Votei na Assembleia Legislativa para o governador Lucídio Portella, irmão de Petrônio.
Logo após Lucídio assumir o governo, fui nomeado Secretário de Trabalho e Ação Social. Nessa função, viajei diversas vezes a Brasília, onde tive a oportunidade de reencontrar e dialogar com o senador Petrônio Portella.
Ao longo de todos esses anos, desde o tempo em que foi meu professor até seus últimos dias de vida, mantive por ele profunda admiração. Petrônio foi, sem dúvida, o maior político que o Piauí e o Brasil já tiveram. No Senado Federal, deixou marcas indeléveis, inclusive sendo nomeado Ministro da Justiça, posição na qual exerceu papel decisivo na redemocratização do país.
Em cada fase da sua vida pública, demonstrou notável capacidade de articulação e uma habilidade rara de apaziguar ânimos em tempos de grande tensão. Sua liderança serena e conciliadora foi fundamental para abrir caminhos ao diálogo e à transição política do Brasil.
Neste centenário de Petrônio Portella, presto minha homenagem a esse mestre que tanto me inspirou. Relembrar as coincidências e vivências políticas que partilhamos é, para mim, motivo de honra e gratidão.
Petrônio Portella era apontado como um dos principais nomes para disputar a Presidência da República. Tenho convicção de que teria sido um grande presidente, se não tivesse falecido precocemente em 6 de janeiro de 1980. Sua morte representou uma perda irreparável para a política piauiense, para o Brasil e para a democracia.
“De Valença para o mundo” foi o tema da palestra que o jornalista e escritor Zózimo Tavares proferiu no Salão do Livro de Valença (SaLiVa), no sábado passado (18/10).
O jornalista falou sobre a trajetória política do senador Petrônio Portella, nascido em Valença, em 12 de setembro de 1925.
Biógrafo de Petrônio, Zózimo Tavares discorreu sobre a infância do biografado em Valença do Piauí, sua transferência para Teresina, aos 12 anos, os estudos no Rio de Janeiro e a carreira política.
O palestrante citou episódios sobre a atuação de Petrônio como deputado estadual, prefeito de Teresina, governador do Piauí, senador da República e ministro da Justiça.
Ele destacou os encontros de Petrônio Portella com várias personalidades mundiais, entre elas dois presidentes norte-americanos – John Kennedy, quando era governador, e Jimmy Carter, quando presidiu o Congresso Nacional.
O escritor afirmou que, apesar de ter saído muito novo de Valença e de viver longe da terra natal, Petrônio carregava a cidade no coração.
“Em suas entrevistas e conferências, ele sempre se reportava ao Piauí e a Valença. E sua chácara em Brasília recebeu justamente o nome de “Valença”. Para que maior declaração de amor? ”, concluiu.

14º SaLiVa no CETI Santo Antônio, em Valença do Piauí.

Coordenador do SaLiVa, Kássio Gomes, apresenta o escritor.


A travessia para a democracia
Zózimo Tavares (*)
Abertura, hoje, é uma palavra banal e praticamente esquecida na cena política brasileira. Mas ela já teve um peso fundamental, inquietante e decisivo na vida e no destino do país.
Há 45 anos, o Brasil procurava, a duras penas, sair de uma ditadura militar para uma democracia.
Os militares, que detinham o poder desde 1964, falavam em uma distensão lenta, gradual e segura do regime.
De fato, essa distensão, também chamada de abertura, se processava de forma lenta e gradual, mas não segura.
Havia riscos iminentes de retrocessos, como ocorrera em 1968, quando o regime fechou de vez e o país caiu em uma longa noite de trevas que durou dez anos.
O império do AI-5
É dessa época o Ato Institucional nº 5, o famigerado AI-5, que deu aos militares poderes ilimitados de mandos e desmandos.
Por meio desse Ato Institucional, fora proibida a garantia de habeas corpus em casos de crimes políticos.
Através do AI-5, o governo decretou também o fechamento do Congresso Nacional, pela primeira vez, desde 1937 (Estado Novo).
O Ato autorizou ainda o presidente a decretar estado de sítio por tempo indeterminado, demitir pessoas do serviço público, cassar mandatos, confiscar bens privados e intervir em todos os estados e municípios.
E, finalmente, por meio do AI-5, o regime militar decretou a censura aos meios de comunicação e às artes, além de adotar a tortura como ações comuns.
Queda de braço
Uma década depois da aplicação implacável do AI-5, o Brasil esperneava para respirar liberdade.
Nas ruas, era grande a pressão pela abertura do sistema, que estava dividido.
Uma parte, a liderada então pelo general João Figueiredo, o último presidente militar, era liberalizante e queria devolver o país ao poder civil.
A outra parte, comandada pelo general Sylvio Frota, ex-ministro do Exército, era linha-dura e queria os militares no poder por mais tempo, mandando a qualquer custo.
O clima era de muita tensão, afinal, eram tempos de desconfiança, angústia, revolta e pavor. E de alguma esperança.
A distensão
Foi nesse terreno minado, cheio de lodo, trevas e precipícios, que um brasileiro, o senador Petrônio Portella, se aventurou a movimentar-se teimosamente em busca de luz e terra firme – no caso, a democracia.
E o fazia com invulgar tato, extraordinária habilidade e insuperável desenvoltura política que estava alcançando, uma a uma, as metas planejadas.
Primeiro, ele procurou abrir caminho para a redemocratização como presidente do Congresso Nacional, ainda no governo do general Ernesto Geisel (1974-1979), que iniciou o processo de abertura.
No final do mandato presidencial, estava sepultado o tormentoso AI-5.
O sol da liberdade
Depois de ver enterrado o AI-5, Petrônio Portella ampliava seu raio de ação já como ministro da Justiça, no governo do presidente João Figueiredo (1979-1985).
O general assumiu o poder, em 15 de março de 1979, prometendo fazer do Brasil uma democracia.
Ou seja, o próprio presidente da República reconhecia publicamente, de viva voz, que o país não era democrático.
Petrônio assumiu o papel de coordenador político do governo.
O fim da censura e a anistia
Com pertinácia e determinação, já nos primeiros meses do novo governo, o ministro da Justiça conseguia, através do diálogo, o fim da censura e a aprovação da Lei da Anistia, sancionada pelo presidente em 28 de agosto de 1979.
Com a anistia, 4.650 brasileiros punidos por atos de exceção, desde o início dos governos militares, estavam sendo beneficiados.
Eram pessoas que haviam sido cassadas, banidas, exiladas ou mesmo destituídas de seus empregos públicos.
A anistia trazia de volta ao Brasil dezenas de exilados. Entre eles, estavam Leonel Brizola, Miguel Arraes, Darcy Ribeiro, Márcio Moreira Alves, Luís Carlos Prestes e Fernando Gabeira.
As reformas
O ministro da Justiça tocava também a reforma partidária, pondo fim à camisa de força do bipartidarismo e abrindo caminho para o o retorno do pluripartidarismo.
Daí nasciam, naquela época, o PDS, o PMDB e o PP e, a seguir, o PT, o PTB e, depois, o PDT.
As diferentes correntes de pensamento que se acotovelavam em apenas duas siglas – a Arena governista e o MDB oposicionista – podiam, enfim, defender livremente suas ideias e respirar em outras legendas.
Muitas outras reformas estavam por ser feitas, sob a coordenação do ministro Petrônio Portella, como o restabelecimento das eleições diretas para governador, em 1982.
O silêncio
No dia 4 de janeiro de 1980, porém, ele sentiu-se mal quando visitava Santa Catarina.
Na tarde do dia seguinte, um sábado, após receber atendimento médico de urgência, voltou às pressas para Brasília.
Desembarcou caminhando. Até deu entrevista. Mas estava abatido e muito pálido.
Avaliou, no entanto, que o mal-estar era passageiro e não procurou um hospital. Optou por ser medicado em casa.
Tudo ia relativamente bem quando, na tarde de domingo, o estado de saúde do ministro agravou-se repentinamente.
Ele foi transferido em ambulância para o Hospital Santa Lúcia, às 15h35.
Estava desacordado. Os médicos passaram aproximadamente uma hora tentando reanimá-lo.
A morte do ministro foi anunciada oficialmente no início da noite de 6 de janeiro de 1980.
Sol do meio dia
Acabava ali a sua caminhada, que chegava ao fim antes de alcançar a linha de chegada.
O Brasil se cobria de luto com um manto de incertezas no campo político.
Poucos dias depois, o ministro Ibrahim Abi-Ackel, sucessor de Petrônio na pasta da Justiça, inaugurava a foto do antecessor na Galeria do Ministério da Justiça com esta frase:
– Petrônio foi um sol que parou ao meio-dia.
Este é, em resumo, o brasileiro cujo centenário de nascimento está sendo lembrado agora.
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(*) Jornalista e escritor. Autor dos livros “Petrônio Portella”, publicado pelo Senado Federal, em 2010, como Volume 7 da Coleção Grandes Vultos que Honraram o Senado, e de Petrônio Portella – Uma biografia, editado em 2012.

Capa do Jornal da República, um dos mais influentes à época.
TELLA – 100 ANOS (Parte 3)
Governador através de aliança impossível
Zózimo Tavares (*)
A inesperada vitória do deputado estadual Petrônio Portella para prefeito de Teresina, nas eleições de 1958, ocorreu em uma conjuntura político-familiar para lá de delicada.
Em 1958, eram realizadas também as eleições estaduais.
O candidato a governador pelo PSD (o partido do governo), era o professor Dedé Gayoso, filho do ex-governador Pedro Freitas e sobrinho do governador Gayoso e Almendra.
O candidato governista era, portanto, cunhado de Petrônio, candidato a prefeito justamente no palanque das oposições.
Naquele pleito, a UDN de Petrônio havia se aliado ao PTB, que apresentou como candidato o deputado federal Chagas Rodrigues.
Resultado: ambos, Chagas e Petrônio, foram eleitos pela chapa batizada de “Oposições Coligadas”.
Juntando água e óleo
Nas eleições seguintes, em 1962, a situação partidária no Piauí já havia assumido outra configuração: a UDN era minoritária; o PSD, o maior partido e o PTB, a terceira força.
Quando a campanha eleitoral chegou, Petrônio já havia rompido com o governador Chagas Rodrigues.
O candidato do governador à sua sucessão era o deputado estadual Constantino Pereira, do PSD.
Petrônio candidatou-se ao Governo do Piauí. E costurou uma aliança que parecia impossível.
Em seu palanque estavam expressivas lideranças do PSD – o partido antagônico da UDN –, dissidentes do PTB e líderes de outros partidos pequenos.
Contava também com o apoio do governador Tibério Nunes, que assumiu o governo com a renúncia de Chagas para ser candidato a senador.
Dizia-se nos meios políticos que Petrônio havia misturado água e óleo. E foi assim que ele se elegeu governador do Piauí. (Segue)
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(*) Jornalista e escritor. Autor dos livros “Petrônio Portella”, publicado pelo Senado Federal, em 2010, como Volume 7 da Coleção Grandes Vultos que Honraram o Senado, e de Petrônio Portella – Uma biografia, editado em 2012.
O líder da oposição namora a filha do governador
Zózimo Tavares (*)
Petrônio Portella começou sua carreira política como candidato a deputado estadual, nas eleições de 1950, pela União Democrática Nacional (UDN).
Não se elegeu, mesmo com seu pai, Eustáquio Portela, sendo prefeito de Valença do Piauí, à época um dos maiores municípios do Estado.
Na condição de suplente, foi convocado em diversas ocasiões para exercer o mandato na Assembleia Legislativa, por articulação da UDN.
Nas eleições seguintes, em 1954, elegeu-se deputado estadual.
Quando esteve na Assembleia, liderou a bancada da oposição.
Ao mesmo tempo, namorava a filha do governador Pedro Freitas (1951-1955), Iracema de Almendra Freitas, com quem viria a casar-se.
Contudo, seus novos laços de família não o levaram a arrefecer a vigilância sobre os rumos do governo. Para tanto, a esposa colaborou decisivamente, como relatou o senador Bernardino Viana:
– Ela procurou pôr cada coisa no seu devido lugar, separando muito bem as ternuras do amor das lutas políticas.
Prefeito de Teresina
Nas eleições de 1958, Teresina se preparava para eleger o sucessor do prefeito Agenor Almeida, um dos melhores administradores da capital.
O candidato favorito à sucessão do prefeito era Chrysippo Aguiar, irmão do ex-governador e ex-senador Eurípides de Aguiar, figura de longa e marcante atuação política no Piauí.
A UDN mirou na candidatura do professor Valter Alencar para concorrer ao pleito, mas ele não aceitou ser candidato.
O partido bateu, então, à porta do deputado Petrônio Portella, que entrou na disputa muito mais para cumprir uma missão partidária, praticamente sem chance de vitória. Mas acabou eleito. (Segue).
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(*) Jornalista e escritor. Autor dos livros “Petrônio Portella”, publicado pelo Senado Federal, em 2010, como Volume 7 da Coleção Grandes Vultos que Honraram o Senado, e de Petrônio Portella – Uma biografia, editado em 2012.
O arquiteto da abertura
Zózimo Tavares (*)
Há 100 anos, nascia o piauiense de maior projeção no cenário político nacional no século 20, Petrônio Portella.
Ele teve uma carreira clássica ascendente. Elegeu-se deputado estadual, na década de 1950, foi prefeito de Teresina e governador do Piauí.
Senador da República duas vezes e também duas vezes presidente do Congresso Nacional (1971 – 1973 e 1977 – 1979).
Em setembro de 1978, sob sua presidência, o Congresso aprovou a Emenda Constitucional nº 11, revogando os Atos Institucionais implantados pelo Regime Militar, inclusive o pavoroso AI-5.
Em 15 de março de 1979, tomou posse no cargo de ministro da Justiça e assumiu a coordenação política do governo.
Faleceu no dia 6 de janeiro de 1980, em Brasília, no auge de sua carreira política.
Estava empenhado na transição do regime militar para a democracia, através do diálogo com todas as correntes políticas e com a sociedade civil.
Entrou para a história como “Arquiteto da abertura”.
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Petrônio Portella Nunes nasceu em Valença do Piauí, em 12 de setembro de 1925.
Filho de Eustáquio Portella Nunes e Maria de Deus Ferreira Nunes. Era o sexto descente, numa prole de 12 irmãos.
Iniciou seus estudos na terra natal. Mais tarde, foi aluno do Colégio Diocesano, em Teresina.
Formou-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro.
Na faculdade, deu os primeiros passos na política, como um dos líderes mais atuantes da Reforma.
Toda a atividade política dos jovens universitários de então se fazia em torno do CACO – Centro Acadêmico Cândido de Oliveira.
O Brasil acabara de derrubar a Ditadura Vargas e engatinhava no rumo da redemocratização.
Comunicativo e persuasivo, o jovem Petrônio assumiu no CACO o posto de diretor do jornal A Crítica, uma tribuna dos universitários.
Por esse tempo, foi também diretor de Publicidade da UNE (União Nacional dos Estudantes).
Como líder estudantil, Petrônio conseguiu unir liberais e esquerdistas.
A partir daí transformou a sua vocação em missão de toda a sua existência. (Segue)
(*) Jornalista e escritor. Autor dos livros “Petrônio Portella”, publicado pelo Senado Federal, em 2010, como Volume 7 da Coleção Grandes Vultos que Honraram o Senado, e de Petrônio Portella – Uma biografia, editado em 2012.
A exposição itinerante sobre os 40 anos do Palácio Petrônio Portella, sede da Assembleia Legislativa do Piauí, foi montada no Congresso das Cidades, que se realiza no Teresina Shopping.
A mostra apresenta a história do palácio, construído e inaugurado no Governo Hugo Napoleão, e também a trajetória política do homenageado, Petrônio Portella.
A exposição é uma iniciativa da Assembleia Legislativa, com curadoria do arquiteto e professor Paulo Castelo Branco.
O Congresso das Cidades do Piauí, aberto na última segunda-feira (18/08), se encerra nesta quarta-feira à noite, mas a exposição seguirá no Teresina Shopping.
Arquiteto da abertura
Durante o período republicano, Petrônio Portella foi o político piauiense de maior projeção no cenário nacional.
Ele começou sua carreira pública como deputado estadual, na década de 1950, foi prefeito de Teresina, governador do Piauí e senador da República por dois mandatos.
Por duas vezes presidiu o Congresso Nacional e faleceu prematuramente em 1980, em Brasília, aos 54 anos, no auge de sua carreira política.
À época, era ministro da Justiça e coordenador político do governo.
Nesse papel, articulava a transição do regime militar para a democracia.
Em função disso, passou à história como “Arquiteto da abertura”.
Centenário
Sua biografia foi escrita em 2010 pelo jornalista Zózimo Tavares, por encomenda do Senado Federal, e relançada em 2013.
O centenário de Petrônio está sendo lembrado este ano. Ele nasceu em 12 de setembro de 1925, em Valença do Piauí.



Capa da biografia de Petrônio Portella.
A Câmara Federal aprovou o Projeto de Lei 5342/19, de autoria do deputado Flávio Nogueira (PT), que inclui o nome do ex-senador Petrônio Portella no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.
A matéria já está no Senado e deverá ser apreciada depois do recesso legislativo.
A informação foi dada pelo parlamentar no lançamento de seu livro “A Rua Coelho de Resende”, que resgata a trajetória política e jornalística de Simplício Coelho de Resende (Piripiri, 1841 – Manaus, 1915), personalidade piauiense esquecida pela história.
O deputado Flávio Nogueira está animado quanto à aprovação de seu projeto no Senado.
Petrônio Portella entrou para a história como uma das figuras centrais do processo de redemocratização do Brasil, no encerramento do regime militar.
Ele presidiu o Senado e o Congresso Nacional em duas legislaturas (1971-1973 e 1977-1979).
Petrônio Portella morreu prematuramente em 1980, aos 54 anos, quando exercia o cargo de ministro da Justiça e coordenava o processo de abertura política.
A biografia do senador Petrônio Portella foi escrita pelo jornalista Zózimo Tavares, sob encomenda do Senado Federal, e publicada em 2010, através da Coleção “Grandes Vultos Que Honraram o Senado”.
Torquato Neto
Flávio Nogueira já aprovou também na Câmara dos Deputados e no Senado o PL 597/21, que declara as obras do poeta, compositor e cineasta piauiense Torquato Neto como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
Depois de aprovado nas duas casas do Congresso, o projeto já foi transformado em lei.

Deputado Flávio Nogueira no lançamento do livro “A Rua Coelho de Resende”