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Sorrindo sozinha!

Jasmine Malta (*)

Passando o final de semana em Bom Jesus, na casa de pai, aproveitei para colocar algumas leituras em dia – de livros e revistas. Uma delas, a do Zózimo Tavares, sobre nosso ex-governador e figura ímpar na história da política brasileira. Sem apologias, por favor. Porque a Dulcineia, é literária.

Já escrevi, e confirmo, que não sou filiada a nenhum partido político, nem simpatizante de nenhum deles. Acredito nas pessoas e no trabalho delas e, sinto até certo receio sobre o tema de hoje, por estarmos em plena campanha eleitoral. Vai lá alguém interpretar não como análise de leitura, mas como propaganda. Corro o risco.

Jornalista, letrado, apaixonado por Literatura, cordelista engajado, palestrante de primeira, nosso autor não se furta de nenhum destes papéis ao publicar um livro. Todas as suas facetas estão reveladas em sua escrita criativa. Produtivo, seus títulos vão sendo multiplicados ano após ano. E, bondosamente, distribui muito mais do que vende.

Nesta obra em análise, fez uma pesquisa detalhada, uma coleta de dados informativos e elaborou uma coletânea interessantíssima. O folclórico perfilado além de tema de show humorístico (do estimado João Cláudio Moreno) e de personalidade entrevistada pelo poderoso Jô Soares, tornou-se um personagem símbolo do Senado (durante o mandato) e celebridade nacional. Ninguém, como ele, conseguiu elevar a audiência da TV Senado, popularizando-a entre os telespectadores. Quando, em vez da novela cotidiana, a audiência aguardava o pronunciamento do dia, ou um dos inúmeros e famosos apartes.

O biografado é um “grávido”. De palavras, de citações, de ditados, de chistes; de língua afiada e raciocínio certeiro. O trabalho do jornalista é minucioso e, empreendedor, apresenta informações históricas e didáticas sobre o Piauí, visando, claro, as edições que serão lidas em todo o país; além de contextualizar os fatos narrados. Uma obra global, compreensível por leitores diversos, independente do espaço geográfico ocupado.

As Citações. Estas, são de fazerem sorrir sozinho. Uma propriedade da leitura : o envolvimento do leitor, a identificação com o texto, a fruição interpretativa. Nosso político criou um “tipo” próprio, vários episódios mostram muito mais uma capacidade articuladora e planejada, do que simples fato ao acaso. Atentai bem, se faz de besta para melhor passar. E, assim, foi abrindo os caminhos já traçados na política, na qual é uma figura inesquecível : pela Cassação inédita, pelos discursos eloquentes.

Confesso, o homem é um erudito. Leitor contumaz, memorialista invejável, orador de primeira ordem, concatenador de ideias singulares, amante à moda antiga. Um verdadeiro “baião de muitos”. Família religiosa, organizada, mãe amantíssima e dona de talento literário, um estudioso confesso e médico dedicado. Nosso Mão é sem comparações, mesmo quando lembrado em conjunto com outro parnaibano ilustre, construtor ininterrupto, sacrificador dos salários estaduais.

O Decálogo apresentado no milésimo discurso, feito digno de uma Certificação Guiness, deveria ser o texto de cabeceira de todo político brasileiro. Mais ainda nestes

tempos de Mensalão, comprovado e em julgamento. Para os que pretendem alçar cargo eletivo, vale a lição deste Mão, nem tão Santa assim, em seu pronunciamento histórico.

O título, reafirmo, é uma leitura excelente. Possível de ser apreciada sem nenhum partidarismo, ou simpatia pessoal, pelo biografado. Pelos simples prazer de ler uma obra bem escrita e divertidíssima. Zózimo, quem será o seguinte ?

*Jasmine Malta é professora da UFPI. Texto publicado no jornal O DIA, na coluna literária DULCINEIA, 19/09/2012.