A biografia Monsenhor Boson – O missionário da educação foi lançada, nesta sexta-feira (4/7), no município de Água Branca – a 96 quilômetros de Teresina – com a presença do autor, desembargador, professor e escritor Arnaldo Boson Paes.

O lançamento do livro ocorreu no auditório da Subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil, durante a 18ª Jornada do Conhecimento do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), na qual Arnaldo Boson fez a palestra de abertura.

Além dos participantes do evento, prestigiaram o lançamento a conselheira Flora Izabel, o conselheiro Jaylson Campelo, alunos e professores do Centro de Ensino de Tempo Integral (CETI) Monsenhor Boson, a principal escola da cidade.

A apresentação do autor foi feita pelo jornalista Zózimo Tavares, editor do livro e ex-aluno do CETI Monsenhor Boson.

Perfil biográfico

Constantino Boson e Lima nasceu em São Raimundo Nonato, em 15 de outubro de 1868, e faleceu em Parnaíba, em 1945, aos 77 anos.

Ele foi um dos líderes da Igreja Católica do Piauí, no começo do século 20, e um maiores educadores do Estado, tendo dirigido o Colégio Diocesano por quase 20 anos, no período inicial da tradicional escola, fundada em 1906.

Boson morou por quase 20 anos em São Luís do Maranhão, onde se ordenou. Foi vigário de Barras e também de Parnaíba.

Homenagem do Papa

Monsenhor Boson recebeu o título de camareiro secreto do papa e chegou a dirigir as Dioceses do Maranhão e do Piauí.

Ele recebeu várias homenagens pela sua contribuição ao sacerdócio e à educação.

Sua biografia, publicada pela Bienal Editora, já foi lançada em Teresina, Barras, São Raimundo Nonato e Água Branca.

Conselheiro Jaylson Campelo (TCE), desembargador Boson e jornalista Zózimo Tavares.

Desembargador Boson fala sobre a pesquisa para o livro.

O autor com o prefeito Júnior Ribeiro (Água Branca) e o editor do livro.

Com o secretário estadual de Transportes, Jonas Moura.

Com a vereadora Cleidimar, ex-secretária municipal de Educação.

José Ribamar Garcia  (*)       

            “Monsenhor Boson – O Missionário da Educação”, de autoria de Arnaldo Boson Paes, editado pela Bienal Editora, Teresina-Pi, 2023, é um livro que já nasceu clássico. Um clássico de nossa Literatura. Pois, vai além da história da vida desse extraordinário religioso, Constantino Boson e Lima, nascido em São Raimundo Nonato, outrora Vila de São Raimundo Nonato. 

Ao ficar órfão de pai e mãe, aos sete e oito anos de idade, foi amparado pelo tio que era padre e de quem teve grande influência. Esse tio o levou para São Luís, onde ele ingressou no seminário e ordenou-se padre aos 23 anos, quando “formalizou seu casamento com a Igreja”, assinala o autor.

Após 18 anos de exercício vocacional na capital maranhense, foi designado para o Piauí, assumindo a paróquia da cidade de Barras do Maratoan. Ao chegar ali, foi construindo uma igreja, adotando o Evangelho de São Mateus: “Ide, pois, ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” (28:19). Daí por diante, dinâmico que era, não parou: lecionando, abrindo escolas e templos. Tornou-se um dos maiores educadores do País. 

           O autor, ao mesmo tempo em que narra a biografia do monsenhor, descreve os hábitos, costumes e origens dos locais, assim como os acontecimentos e fatos históricos daqueles momentos. Mesmo que alguns deles não tenham influenciado diretamente o biografado, servem para situá-lo no tempo e esse tempo surge também como uma espécie de pano de fundo da sua trajetória. De qualquer modo, dão à narrativa um tom agradável.

Eis alguns trechos: “À época, o Piauí contava menos de 200 mil habitantes e Teresina, capital da Província desde 1852, não chegava a 20 mil moradores. O País escalava a guerra contra o Paraguai, O Piauí vivia da pecuária…”(pag.21). Isso no ano do nascimento do monsenhor Boson.

E prossegue: Nas pags. 50/51, narra como era a viagem de Teresina a Barras. Nas 52/58, hábitos dos moradores da cidade de Barras. Na pag. 100: “Em 1929, quando Boson chegou a Parnaíba, o mundo estava mergulhado na grave crise econômica deflagrada pelo ‘Crack’ da Bolsa de Nova York. Nos anos seguintes, o mundo assistiria à ascensão de Hitler ao poder e à marcha trágica para a Segunda Guerra. No Brasil, eclodiriam sucessivamente a Revolução de 30, a Era Vargas, a Guerra Paulista de 32, a Revolução Comunista de 35 e o Estado Novo de 37”.

          Outro aspecto interessante foi a conexão do monsenhor com alguns dos contemporâneos que se tornariam famosos.  Dentre eles, José de Arimathéa Tito, de quem se tornou compadre, ao batizar seu filho Arimathéa Tito Filho; Leônidas de Castro Melo; Manoel Paulo Nunes; Dom Avelar Brandão Vilela; Padre Chaves (Joaquim Raimundo Ferreira Chaves). 

        Se o objetivo de Arnaldo Boson era resgatar a história do monsenhor Boson, pode considerar-se realizado. Pois conseguiu, e com louvor. Creio que valeu as inúmeras entrevistas e os esforços exaustivos despendidos na busca de documentos e de informações sobre fatos ocorridos há oito décadas passadas.

Creio, ainda, não fosse sua tenacidade, determinação e, sobretudo, inteligência, não teria atingido ao que se propôs. E alcançou com brilho, haja vista o resultado: este belo e importante livro. Escrito num estilo simples, leve e direto, dando uma naturalidade à narrativa.   Parabéns!

 (*) José Ribamar Garcia é advogado e escritor. Membro da Academia Piauiense de Letras.

Álvaro Fernando Mota (*)

O que poderia ser apenas uma homenagem a um parente cuja memória se perdia nos desvãos do tempo, ao ser realizada com esmero, riqueza de fontes, boa pesquisa e um texto escorreito, formou-se em um livro que certamente pode e deve ser referencial na História do Piauí. É uma obra que se pereniza, felizmente.

Não menos que as palavras iniciais deste texto podem descrever o livro recém-lançado pelo desembargador federal do Trabalho, Arnaldo Boson Paes, intitulado “Monsenhor Boson, missionário da educação”, que em 14 capítulos curtos, mas densos, leva o leitor a percorrer a biografia deste piauiense nascido em São Raimundo Nonato, em 15 de outubro de 1868, Dia do Professor, como que obra boa do destino.

Haveria ele de ser padre por influência de um tio, mas forjou-se também pelos meandros da poesia por ter um tio coronel e da cultura e educação pela sorte de ter um tio poeta. E percorreu esse caminho com o que hoje chamamos rotineiramente de resiliência, mas que no final do século XIX era meramente parte do cotidiano de muito mais dificuldades que nos atuais tempos.

Como posto, o livro revela-se marco para a memória e história do Piauí. Pode-se perceber na escrita despretensiosa de Arnaldo Boson Paes como era São Raimundo Nonato em seus primeiros tempos de vila ou a aventura a que se submetiam as pessoas numa viagem entre Teresina e Barras, onde Monsenhor Boson foi pároco por longos anos no início do século XX. Hoje, se vai a Barras em duas horas, enquanto nas décadas iniciais do século XX levava-se no mínimo três dias, em lombo de burro e sob condições arriscadas para atravessar o rio Marataoan, como fez o religioso biografado pelo sobrinho nascido baiano e agora desembargador federal do Trabalho no Piauí.

O texto desse livro de 152 páginas é ainda revelador sobre os movimentos que resultaram na criação de duas instituições basilares na cultura, educação e sociedade piauienses: a Diocese do Piauí, atualmente Arquidiocese de Parnaíba, e o Colégio Diocesano – cujas bases mais relevantes se assentam sob a figura emblemática do educador Boson, conforme narra autor.

Monsenhor Boson foi-se fazer padre no final do século XIX em São Luís, sede do bispado que abrangia o Piauí nos tempos oitocentistas e até os primeiros anos do século XX. Lá granjeou importância, formou suas habilidades e modos de educador confessional cristão, das quais nunca abriu mão, posto que se fincavam em devoção e obediência aos princípios católicos, o que o fez estar em trincheiras de embates com intelectuais e políticos anticlericais das primeiras décadas do século XX no Piauí.

Nesse ponto, o livro de Arnaldo Boson Paes nos guia para conhecimento de outro importante registro histórico, que foi de uma luta renhida por poder a opor políticos e religiosos católicos no Piauí no começo do século passado – o que só amplia a importância desta obra, que, como posto no começo, resulta de ampla e bem realizada pesquisa, demonstrada não somente na riqueza de dados do texto escorreito, mas no suporte de ilustrações, como que a homologar sua importância.

(*) Álvaro Fernando da Rocha Mota é advogado. Procurador do Estado. Ex-Presidente da OAB-PI. Mestre em Direito pela UFPE. Doutorando em Direito pela PUC-SP. Presidente do Instituto dos Advogados Piauienses. Presidente do CESA-PI. Publicado originalmente no Jornal Meio Norte, de Teresina, em 8 de fevereiro de 2024.

A história de um dos principais nomes da educação no Piauí, em todos os tempos, está sendo contada em livro quase 80 anos depois de seu falecimento, ocorrido em 1945.

A biografia Monsenhor Boson – O missionário da educação foi lançada nesta sexta-feira (19/01), no auditório Padre Antônio Vieira, do Colégio Diocesano, em Teresina.

De autoria do desembargador, professor e escritor Arnaldo Boson Paes, o livro narra a trajetória de vida do Monsenhor Boson desde o seu nascimento, em São Raimundo Nonato, até o seu falecimento, em Parnaíba, aos 77anos.

O biografado dirigiu o Colégio Diocesano por quase 20 anos, no período inicial da tradicional escola, fundada em 1906.

Constantino Boson morou por quase 20 anos em São Luís do Maranhão, onde se ordenou, foi vigário de Barras e também em Parnaíba.

Recebeu o título de camareiro secreto do papa e chegou a dirigir as Dioceses do Maranhão e Piauí.

O lançamento

A apresentação do livro foi feita pelo historiador Fonseca Neto, professor da Universidade Federal do Piauí, membro da Academia Piauiense de Letras e presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí.

Além do diretor do Colégio Diocesano, professor Julival Alves, estiveram presentes ao ato o presidente da Academia Piauiense de Letras, Zózimo Tavares, e os acadêmicos Felipe Mendes e Plínio da Silva Macêdo, este conterrâneo do biografado.

Também participaram do lançamento magistrados e servidores do Tribunal Regional do Trabalho do Piauí; o desembargador Pedro Macedo, do Tribunal de Justiça; o secretário estadual de Comunicação, Mussoline Guedes; professores, coordenadores e funcionários do Diocesano e outros convidados.